segunda-feira, 30 de março de 2015

A boca de Krisna


Matutuíne desdobra-se para mim como o universo. Passando tanto tempo em circulação por estradas tão esquecidas quanto o próprio Distrito, poeirentas e sem sinal de rede para poder enviar pelos éteres o bip que me tornásse presente no mundo, fiz a passagem. E as estradas, revelaram as árvores, as árvores revelaram as matas e as matas revelaram as pessoas que me disseram:
- Bem vinda.
O mapa de 5000 km2 que tinha um ponto, passou a ter dois, três, dez; integrados nas transições entre as várzeas, os pântanos, a vegetação aberta, as matas fechadas, as curvas onde o rio passa e as rectas que as duas estradas do Distrito atravessam. Linhas mais finas começaram também a aparecer, que mostraram mais pontos e o mapa iluminou-se como capilares numa angiografia.
Do vago para o concreto, o concreto inifinitamente complexo e surpreendente (na mesma escala da matéria que é feita de espaços vazios que não esperamos jamais encontrar): vivo a promessa de uma expansão para dentro sem fim.