segunda-feira, 27 de abril de 2015

O Espírito do Ubuntu

«Sou o que sou por sermos todos o que somos» em dois reversos da medalha, episódios ou pessoas conhecidas:


Parte I - Tomás Novela

Toda a gente devia conhecer o Tomás. Pelo menos toda a gente que acredita no valor transformador dos movimentos sociais de base; e os que acreditam que a Ajuda ao Desenvolvimento é um mito urbano. O Tomás é a resposta local ao Desafio Global e nos caminhos que ele aponta penso na sorte dos caminhos que o trouxeram até aqui.

A sala incendeia-se mas ninguém promete dinheiro. A sala incendeia-se porque se apresentam ligações com sentido, porque chega informação.

Estamos juntos no melhor sentido do Ubuntu, que é o consenso baseado na evidência partilhada da verdade.


Parte II - Paula Venene


Ser Agente Comunitário de Saúde em Moçambique (Agente Polivalente Elementar APE) é uma profissão paga pelo estado. Mas o pagamento trimestral com muitos trimestres de atraso convertem o salário em activismo funcional - e involuntário. O Agente fica efectivamente entregue a si próprio e à sua comunidade extremamente isolada, que apenas recebe atendimento médico através de si.

A 60 km de distância do Centro de Saúde de Bela-Vista a comunidade de Mussongue sabe disto muito bem. Por isso quando a sua APE teve que buscar refúgio para si e os seus 3 filhos na comunidade vizinha de Huco - onde não tem nada além dos 10 km de distância tamponizadora das fúrias intensas mas voláteis do marido -, Mussongue não aceitou.

A Paula pode continuar a viver em Huco mas terá que se deslocar duas vezes por semana à Escola Primária de Mussongue para atender a população. A comunidade fará a devida escolta de protecção mas quanto ao transporte nada poderá fazer. Será a pé, claro.