«As coisas não mudam, nós é que mudamos.»
Henry David Thoreau
Adeus ao Mundo, que vou partir. Despeço-me do que conheço e viro no caminho, porque passou o tempo e o destino tem hora marcada. O rumo é o horizonte temido e eu não quero ir.
Na confusão, escorrego nas escadas e desço o lanço sem usar os pés. Ficam as nódoas e os nervos do medo. Todas as glândulas segregando a química do desconforto.
A maravilha da evidência que até no mais íntimo e adquirido somos passageiros é uma sombra negra na hora da partida. Não é que tudo passa, somos nós que estamos a passar. E eu ainda preciso que a vida me empurre aos rebolões pelas escadas abaixo.
Do lado de lá da baía de Maputo fica a Catembe. De Maputo não se nota mas da rural praia da Catembe o cenário é assombroso. Pés descalços tão perto de tantos pés bem calçados é um desconchavo que custa a encaixar em toda a parte mas na praia da Catembe os pés descalços estão na areia e a brisa é suave. O horizonte desconhecido em simples travessias de ferry-boat (lê-se ‘bot’) por 5 meticais.
Vou mergulhando pouco a pouco. No oceano de todas as despedidas.