O meu dia corre veloz na minha Nissan Patrol, branca como eu. Na machamba sou "minha engenheira" de alguns, que algum dia serão menos, por força da aparente evidência da sua pouca produtividade. Como carvão numa estufa, queimo esperanças e sonhos pelo uso dos seus braços e corpos inteiros.
Os milhares que me rodeiam podiam ser zero porque habito a minha ilha de cor branca. Branca de cultura e consciência de que eu sou o pescador e eles a maré. E branca de inveja da rendição, de não saber como ser uma maré.
No colo das montanhas do Gurué pouso a minha cabeça. Sempre fui estrangeira na minha pele mas aqui sinto-me em casa.