A travessia de Maputo para a Catembe é curta mas a
distância no ferry cumpre-se a uma velocidade muito lenta. De modo que se conversa e se
ouvem conversas. Numa dessas conversas partilharam comigo os planos para abrir
uma barraca* e que para a barraca dar certo, o segredo era ter ao balcão uma moça
jovem, apelativa mas que já tivésse alguma experiência de vida, nomeadamente
experiências tristes. «Alguém que tenha já cometido alguns mistakes» e eu sorri
a pensar «alguém como eu».
Infelizmente o feminismo falha em capturar a beleza da
renúncia de uma posição de reinvindicação em nome de um amor. O corpo do
manifesto feminista é um corpo de luta mais do que um corpo de dádiva. E pasmei
da ironia de um jovem empresário de repente entender melhor esta mulher e que
desse entender venha uma nova subjugação.
Amar nunca pode ser um mistake.
*barraca é o termo que se usa para uma tasca de construção precária, em alvenaria ou totalmente em zinco