sábado, 10 de março de 2018

Mistakes



A travessia de Maputo para a Catembe é curta mas a distância no ferry cumpre-se a uma velocidade muito lenta. De modo que se conversa e se ouvem conversas. Numa dessas conversas partilharam comigo os planos para abrir uma barraca* e que para a barraca dar certo, o segredo era ter ao balcão uma moça jovem, apelativa mas que já tivésse alguma experiência de vida, nomeadamente experiências tristes. «Alguém que tenha já cometido alguns mistakes» e eu sorri a pensar «alguém como eu». 

Infelizmente o feminismo falha em capturar a beleza da renúncia de uma posição de reinvindicação em nome de um amor. O corpo do manifesto feminista é um corpo de luta mais do que um corpo de dádiva. E pasmei da ironia de um jovem empresário de repente entender melhor esta mulher e que desse entender venha uma nova subjugação.

Amar nunca pode ser um mistake. 
 
 
*barraca é o termo que se usa para uma tasca de construção precária, em alvenaria ou totalmente em zinco