Todos os dias vais grosso
pela estrada. Todos os dias o mesmo abandono,
o mesmo encontro, o mesmo caminho para casa.
Cinco passos, tropeças e
um trambulhão. E é onde cais que ficas, de
barriga estendida a ver o céu do chão.
Só que hoje não chove há 4
dias e à passagem de cada carro, o céu desaparece e a tua
cara enche-se de poeira.
Por isso quando te vi já
aproximavas as pernas uma a uma para o peito. E foi com a cabeça entre os
joelhos que te vi desaparecer no espelho.