Fina como o capim, frágil como as
flores do campo, Helena dá-me a mão.
Fala muito mal, pouco se entende.
Fala com gestos feitos de lentidão.
Usa os sapatos trocados nos pés,
a camisa vestida para trás
- com sorriso imperturbável faz com
os ombros um «... tanto faz».
Não tem mãe, nem pai, vizinha,
titia ou vóvó.
Helena do orfanato, tantas
Helenas. Helena está só.
quinta-feira, 6 de março de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
O Grande Horizonte
Pode ser real ou uma
paisagem interior. A percepção de um grande acerto nos olhos do meu filho. A
sinfonia super alto nas matas do Gurué mas que só eu ouço.
É uma impressão
acompanhada de vertigem, uma relação espaço-tempo em fracção ínfima, como o folhear
do livro sentido pelas próprias páginas.
Ou pode ser um
prémio do quotidiano. O privilégio de viver mergulhada em horizontes tão
grandes que numa base de rotina me arrebata em
gratidão e sincronia com a vida.
Como todas as manhãs, na passagem para o trabalho, ver o Índico glorioso do cimo da Catembe.
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