Aqui está a única fotografia que fiz de Mitúcuè. A máquina digital que possuía na altura avariou-se pouco tempo antes da partida para Moçambique e eu decidi aproveitar a oportunidade para um teste à vida: levei apenas um rolo de 24 fotografias. Um desafio à voracidade do olhar por detrás de uma máquina fotográfica e à minha capacidade de me apresentar desarmada à população, sem a plataforma universal de comunicação que é a fotografia.
Recusei muitas vezes fotografias e se já era estranho para eles terem-me ali, ainda mais estranho era terem-me ali sem lhes tirar fotografias. Mas valeu a pena. Nada como o jejum [e a fome] para nos abrir ao maior tesouro da vida: o tempo que não volta atrás.